Depois de um longo período de desaparecimento eu volto para comunicar a reativação do blog. Desde a gênese do nome do blog eu pensava em dividir pensamentos sobre educação, mas acabei focando mais no origami em virtude do momento que vivia naqueles tempos. As dobras e levezas acolheram toda a dor que nenhuma outra forma de arte soube compreender e me ajudaram a atravessar um dos períodos mais difíceis de minha vida.
Depois de quase dois anos eu estou aqui. Me sinto reconstituida mas não homogênea… da articulação dessas partes aparentemente desconexas surgem as tensões cotidianas que fazem que eu levante da cama. E uma delas (senão a maior delas) é justamente a educação.
A inquietação começou a crescer quando fui aprovada em um concurso público para ser professora da rede municipal de São Paulo. Em 31 de Maio, munida de toda a esperança revolucionária que tinha, iniciei exercício. De lá pra cá nada melhorou. Todas as hipóteses que eu havia formulado foram se dissolvendo e agora, nesse exato momento, eu me vejo lutando para não deixar dissolver meu compromisso com o magistério público.
“Lembrei de um truta meu falar assim:
-Não joga pérolas aos porcos irmão,
joga lavagem eles prefere assim,
se tem de usar piolhagem!”
(Racionais – Jesus Chorou)
O que parece só um trecho de uma música de contestação é discurso corrente entre os professores. Desistir, porque o sistema está corrompido desde a raiz. E pior que a falência do sistema público de educação é a hipocrisia do discurso institucional que as equipes técnicas das diretorias de ensino querem que a gente reproduza. Agora é o momento de lutar e empreender a resistência.
Não tenho certeza de quase nada, só sei que não vou repetir as palavras vazias de ninguém. Não estou no magistério público procurando a estabilidade vitalícia, muito menos criticando quem está lá por isso. Estou tentando trilhar, apesar das dificuldades, o caminho ético da docência, para fazer da educação um processo significativo de fato e não um amontoado de hipocrisias, estereótipos e pedagogices convenientes.
Que deste conflito surjam as raízes da transformação.











